Desde criança que me mentem. Primeiro foi a história da cegonha, talvez por isso ainda hoje eu lhe tenha um amor maternal, quatro anos mais tarde no auge da minha estúpida inocência, quando me disseram que o meu novo irmão estava para chegar, enquanto a minha mãe gritava com as dores de parto, lá estava eu na janela do quarto ao lado hipnotizado fitando o céu.
Depois vem a história do pai natal, foram as minhas primeiras noitadas, as noites de consoada em que mais uma vez lá estava eu ano após ano hipnotizado fitando uma chaminé, embora não soubesse a minha reacção ao ver o pai natal, pois tinha barbas e quando eu fazia birra para comer ameaçavam-me com um homem de barbas que me vinha buscar, acho que ainda hoje, muitas crianças têm medo do pai natal por causa dessa associação.
Depois temos um rol interminável de mentiras, a fada dos dentes, os duendes, um homem que morreu numa cruz para nos salvar, um Deus que é omnipresente e omnipotente, (deve ser americano), se fizer maldades vou arder eternamente no inferno, ou se fizer menos mal, vou uns tempos para o purgatório levar chicotadas para me purificar, nunca entendi como é que uma pessoa a levar com um chicote nas costas se purifica, mas enfim, desígnios divinos.
Hoje tenho trinta anos e procuro saber no que me transformei, a lucidez destruiu-me, não confio numa humanidade que ergueu civilizações com mitos e mentiras, custa-me a entender que a felicidade, o amor e todos os estados de espírito, não são mais que reacções químicas e hormonais, que há substâncias que nos fazem rir, chorar, embriagar, dormir ou ficar acordadas, que somos umas marionetas alimentadas a medo e comprimidos.
Estamos nas mãos de meia dúzia de pessoas que governam o mundo e eu não confio nem acredito em nenhuma delas e logo eu que já acreditei em fadas e duendes.
Depois deste pequeno desabafo, vou só comentar ao de leve os famosos desenhos do senhor M., vou chamar-lhe assim, pois apesar de estar num país livre e ocidental tenho medo de escrever sobre o senhor M., coisa que me deixa profundamente preocupado, assim como as tristes declarações do M. Freitas do Amaral e de muitos políticos ocidentais que não sei porque interesses, (petrolíferos), eles se vergam perante o fanatismo e reacções intoleráveis de certos povos, de qualquer maneira só quero realçar aqui alguns pontos com todo o respeito:
1. Sou Ateu convicto e todos os dias ouço falar acerca da minha convicção que sou um infiel, herege, não tenho alma, sou como os animais e não vou ter salvação. Reacção: Pacifica.
2. Vejo atacar o nosso modo de vida, decapitar reféns, explodirem-se nas nossas estações. Reacção: Pacifica
3.Apesar de não acreditar nem em Deus, Jeová, no profeta M. etc. nem nas vossas crenças, todos os dias tenho que conviver com elas, igrejas mesquitas, santuários, Natal, Páscoa, Ramadão. Reacção: Pacifica .
4. As vacas para os hindus são sagradas, eu farto-me de comer carne de vaca. Reacções dos hindus: Pacifica.
5.Fazem desenhos com a cara do Profeta M. Reacções dos muçulmanos: explosões de ódio e raiva, queimam bandeiras e embaixadas, expulsam ocidentais, fazem embargos a produtos ocidentais, matam pessoas, etc.
Concluindo, só não vê o que se esta a passar quem não quer, façam as contas de quantos muçulmanos existem, vejam os ideais deles e a sua cultura, vejam o seu poder, vejam quantos existem no ocidente, depois vejam os ocidentais, velhos burocratas, com explicações sociais para todos os males e sem vontade de lutar pelo que demoramos séculos a construir. Tenho medo.
P.S- Já agora para estimular a nossa economia devíamos vender bandeiras de países ocidentais, para países muçulmanos, ou muito me engano, ou cada vez têm mais saída.